quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

    ATÉ QUE ME DÊ BEM-VINDO

No meu começo, estava indo... estava indo...
porém, agora me cansei e estou parado.
Já trabalhei demais, por isso hoje estou vindo
aqui, dizer que completei o programado.

Peço aos amigos pra ficarem do meu lado,
neste momento, em que vejo o meu tempo findo,
tendo vencido quando fui ameaçado,
e, neste mundo, só vejo o lado mais lindo.

Já estou velho mais do que o combinado,
e o tempo pouco inda se vai diminuindo,
cada momento é pra ser bem aproveitado.

Mesmo parado, um ideal vou perseguindo
– o de fazer as obras do meu Deus amado,
até que lá no céu Jesus me dê bem-vindo.


terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

   VEM PRA ROÇA

Trabalhador, meu amigo,
convido-o pra vir comigo
desfrutar do bom da terra,
juntinho ao pé de uma serra,
terra boa e de renome,
onde ninguém passa fome,
porque colhe em profusão.

Vem, pois, melhorar a renda,
morando lá na fazenda,
vivendo a vida de fato,
onde se capina o mato,
depois que passa o estio
e, no tempo do plantio,
se planta milho e feijão.

Além daquilo que planta,
o lavrador colhe tanta
coisa boa, com certeza,
dos frutos da natureza:
o saboroso juá
e outros, como o ingá...
e é só pegar com a mão.

Lá não precisa dinheiro,
pois se vive o ano inteiro
sem passar necessidade,
não é como na cidade,
onde tudo tem seu preço,
e as contas vêm no endereço
onde mora o cidadão.

O morador da cidade
passa por dificuldade.
Quem mora na zona urbana
sabe disso e não se engana,
e eu também não me iludo:
aqui se paga por tudo,
té pra ver televisão.

Vem pra roça, meu amigo,
vem escapar do perigo,
vem ouvir a passarada,
que durante a madrugada
traz o som lá da floresta,
e encanta-nos, em seresta,
com inspirada canção.

A vida é boa na roça,
num casarão ou palhoça,
onde a paz é verdadeira.
E assim, dessa maneira,
o lavrador vai feliz,
muito bem – como ele diz,
e o diz com toda razão.

Digo-o porque já vivi
na roça, hoje estou aqui,
morando em Juiz de Fora.
Sinto-me feliz agora,
porém, curtindo a saudade
que, cada dia, me invade
as fibras do coração.


sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

            ESCRITO NA AREIA

Sempre busquei falar das coisas mais bonitas.
Não faz meu gênero falar de coisa feia.
Escrevo sempre desejando que alguém leia,
e é meu desejo que o leitor leia e reflita.

Quem deseja vida melhor pensa, e medita,
e esquece tudo que pertence à vida alheia,
fala a verdade pra que todo o mundo creia,
e tem desejo de alcançar glória infinita.

Ante uma pecadora, até mesmo Jesus,
escreveu algo sobre o qual não temos luz,
algo, quem sabe, que o coração incendeia.

O que Cristo escreveu, não podemos saber.
Talvez dissesse: “Não há um justo sequer!”
Mas não sabemos, pois escreveu na areia.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

  NOSSAS LEIS DESUMANAS

Hoje, quero falar da estupidez humana.
O homem é quem faz as suas próprias leis,
mas, quando faz uma lei burra e desumana,
se torna dela escravo. É o que observei.

Os dias vão passando, e a humanidade insana,
cada vez mais oprimida, como nem sei,
as multidões seguem seus dias e semanas
como se aqui fosse monarquia sem rei.

Sobre esse assunto, a tal estupidez é tanta,
que, mesmo vendo o grande mal que se agiganta,
não há quem use um pouco a sua inteligência.

Pois, afinal, se as leis são feitas pelo homem,
por que não mudam essas leis que nos consomem,
seria, acaso, por falta de competência?

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

 A LEI DA RECOMPENSA

Segue o universo qual relógio eterno,
relógio que jamais mostrou defeito,
e nem podia, pois, por Deus foi feito
e permanece sob o seu governo.

Na primavera, no outono, ou inverno,
ou no verão, sempre do mesmo jeito,
sabemos que tudo Deus fez perfeito.
Se isto observo, a mim mesmo consterno.

Infelizmente, a nossa Natureza
vem sendo destruída pelo homem,
que age sem prever a consequência.

Na criação, tudo era só beleza,
hoje, porém, os males nos consomem.
Esta é a lei de Deus – da recompensa.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

              CONFISSÃO

Já estou velho e não realizei meus planos.
Eu quis ser útil, abençoar muita gente,
realizar grandes projetos nestes anos
em que vivi, pois desejei ser diferente.

Ser diferente deste mundo e seus arcanos,
jamais falar do que é mau, que, comumente,
os homens que vivem sem Deus (pobres insanos!)
falam e fazem, sem temor e inconscientes.

Eu quis falar-lhes sobre o arrependimento,
antes que a vida deles se vá, num momento,
quando não vão ter mais uma oportunidade.

Mas, fiz tão pouco! Faltou-me o ‘como fazê-lo’
ou (eu confesso!) falhei, por falta de zelo,
mas, o que fiz só vou saber na eternidade.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

O QUE ESCREVI

Em toda vida escrevi mais de mil poemas.
Mas, em um ponto, minha história é diferente:
não disse o que os poetas dizem, normalmente,
embora já tenha abordado os mesmos temas.

Alguns poetas, como eu, sendo em Deus crentes,
seguiram seu nobre ideal, de um só esquema,
fugindo das variações e dos dilemas,
e, então, falaram de Jesus Cristo somente.

Eu, entretanto, não me limitei a isto.
Mesmo querendo viver só pra Jesus Cristo,
falei dos temas deste mundo os mais diversos.

Falei do belo, do que é bom, do que faz bem,
das amizades e do amor falei também,
porém, o mal não teve lugar nos meus versos.